Dallagnol diz que combate a corrupção na eleição vai além da Lei da Ficha Limpa

O procurador da República, Deltan Dallagnol, afirmou que o combate à corrupção vai além da aplicação da Lei da Ficha Limpa. Em Salvador nesta quarta-feira (19), o integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato avaliou o problema como uma questão sistêmica no Brasil e defendeu o incentivo da consciência das pessoas para procurarem e votarem em candidatos que não respondam ou tenham sido condenados em processos por esse crime.

“A Lei da Ficha Limpa veda que sejam candidatos pessoas condenados em órgãos colegiados. Agora nós temos muitas pessoas que foram condenadas, inclusive por corrupção, em primeira instancia, que não estão barradas de concorrer a cargos eletivos pela Lei da Ficha Limpa”, disse ao acrescentar que cabe a cada cidadão fazer uma avaliação dos candidatos e verificar se eles merecem ou não os seus votos.

Dallagnol disse ainda que, ao se falar de combate à corrupção, é necessário ter em mente, principalmente, o Congresso Nacional. “Nós precisamos de mais que a Lei da Ficha Limpa se nós queremos controlar a grande corrupção brasileira. Precisamos colocar no Congresso Nacional pessoas que tenham o passado limpo, comprometidos com democracia e que apoiam o combate à corrupção”, afirmou. O procurador ainda reiterou o incentivo para que os eleitores optem por representantes com “passado limpo, compromisso com a democracia e que se interessam em apoiar esse pacote”.

Em relação ao pleito de outubro deste ano, Dallagnol afirmou que o futuro do combate à corrupção no Brasil depende das eleições. Quanto aos discursos anticorrupção propagados e utilizados como estratégias de angariar eleitores pelos candidatos, o integrante da força-tarefa da Lava Jato fez um alerta. Segundo ele, os eleitores, erradamente, focam apenas no discurso dos candidatos à presidência da República. “As pessoas focam muito no presidente, mas quem mais tem poder parar combater a corrupção é o Congresso Nacional. É o Congresso que pode aprovar ou não aprovar leis que vão ter condições de minar investigações como a Lava Jato, ou então que vão avançar o controle da grande corrupção no nosso país”, acrescentou.

Fonte BN

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