Felipe Moura Brasil: Ué, Lewandowski, a prisão não estava cheia demais?

Uma semana atrás, quando Ricardo Lewandowski votou a favor do indulto a corruptos, ele alegou que o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo.

Comentei aqui que, como qualquer defensor da soltura de presidiários, ele omitia que o Brasil está atualmente em 26º lugar em número de presos por 100 mil habitantes.

Curiosamente, esse Lewandowski que atua para soltar vigaristas que roubaram dinheiro público, é o mesmo Lewandowski que, na prática, mandou prender um cidadão que lhe disse, dentro de um avião em solo, ainda com a porta aberta e os passageiros usando celulares, que o STF é uma vergonha.

Ou seja: a cadeia está cheia demais para quem rouba outros milhões de brasileiros, mas tem vaga para quem dirige umas palavrinhas ao ministro, cometendo o que ele, personificando a instituição na qual atua, chamou cinicamente de injúria ao STF.

Seu comportamento vergonhoso no episódio e na justificativa, no entanto, rendeu o apoio igualmente vergonhoso dos sindicalistas de toga de entidades corporativistas, que chegaram ao cúmulo de alegar que a liberdade de expressão não autoriza a prática de agressões pessoais, como se o passageiro tivesse agredido o ministro ao mostrar que se envergonha do Supremo, como aliás se envergonham milhões de brasileiros roubados pelos criminosos que o Supremo manda soltar, com voto favorável de Lewandowski.

Sua defesa do desencarceramento, vale lembrar, também foi feita quando ele votou na Segunda Turma em fevereiro pela substituição da prisão preventiva por domiciliar de mulheres presas que sejam gestantes ou mães de crianças de até 12 anos ou de pessoas com deficiência. Em outubro, Lewandowski inclusive decidiu conceder domiciliar para mães e grávidas envolvidas com tráfico de drogas.

E agora vem dizer advertir um cidadão com a pergunta “você quer ser preso?”

“Ora, esse ato revela que, na verdade, qualquer pessoa, ainda que defenda medidas despenalizadoras ou desencarceradoras, sabe, em seu íntimo, que a prisão é, sim, um mecanismo de dissuasão extremamente eficiente (embora não seja infalível), ainda que se trate de um delito de menor potencial ofensivo (desacato, em tese). Do contrário, o referido ministro poderia ter admoestado o advogado nos seguintes termos: ‘Você quer prestar serviços à comunidade? Quer pagar uma multa?’

Se assim não o fez é porque, ao contrário do que prega (e decide), tem plena ciência que algo desse jaez não intimida ninguém, não tendo, portanto, potencial para cessar aquilo que se vislumbra como uma agressão criminosa.

Resta saber se esse episódio levará Sua Excelência a refletir sobre a completa desconexão que há entre aquilo que defende e aquilo que pratica. Aguardemos!”

Minha única ressalva ao comentário do promotor é que não resta saber nada disso. A gente já sabe muito bem que a desconexão entre o discurso e a prática é característica incontornável de qualquer militante supremo.

Fonte Jovem Pan
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