Mais de 259,2 mil empresas baianas estão com o CNPJ negativado

Mesmo com a economia apresentando sinais de recuperação, ainda tem muita empresa que não saiu da crise. Segundo uma pesquisa feita pelo Serasa Experian, o número de inadimplentes no Brasil bateu novo recorde em janeiro de 2018. Cerca de 5,4 milhões de CNPJs estavam negativados, a maior quantidade registrada desde março de 2015, quando o levantamento passou a ser feito.

Deste montante, pelo menos, 259.215 empresas inadimplentes estão na Bahia, o que corresponde a 4,8%. “O país começou a tirar o pé da lama em 2017 só que isso ainda não chegou para todo mundo, sobretudo, para as micro e pequenas empresas. Muitas não venderam o que planejaram vender ou ainda possuem dívidas muito altas”, afirma o economista chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi.


Ainda de acordo com a Serasa Experian, na comparação com o mesmo período de 2017, o crescimento das contas atrasadas chega a 10,8%. Algumas dívidas podem ser negociadas diretamente com os credores no site www.serasarecupera.com.br. “É importante também que o empresário não vá além do que pode honrar. A negociação precisa ser transparente e realista”, destaca.Ao todo, as dívidas somam R$ 123,8 bilhões. Entre os segmentos, o setor de serviços é o que reteve o maior número de empresas no vermelho em janeiro/2018, com 47,5% do total, seguido por empresas do comércio, com 43,0% de CNPJs negativados, e as indústrias, com 8,6%. Em média, as empresas possuem, atualmente, 11 credores diferentes.

Gestão financeira

Um alívio para os empreendedores que precisam ajustar as finanças do negócio está na queda da taxa básica de juros (Selic), que no último corte chegou a 6,75% ao ano, menor taxa desde 1986. Para o especialista em recuperação, consolidação de negócios e sócio da IWER Capital, Artur Lopes, os sintomas são muitos claros quando a empresa precisa rever as finanças.

 “O primeiro é o aumento das dívidas. Você passa a tomar recursos não só para o capital giro e acaba cobrindo o prejuízo operacional com dinheiro externo. O segundo sinal é uma questão fiscal, quando há o aumento do passivo: a empresa não recolhe impostos ou parcela demais”, destaca Lopes. O alerta deve acender também quando há uma sequência de resultados operacionais negativos. “Depois de três meses de resultado negativo já tem que acender a luz amarela”, analisa.

O processo de reestruturação vai exigir mais do que nunca capacidade de gestão. “Isso significa que sem a revisão completa da organização – inclusive do dono – não há salvação para o negócio. Uma das ferramentas mais eficientes para começar a colocar a casa em ordem é o fluxo de caixa. É necessário evitar desperdícios e financiar a operação de maneira planejada. Isso significa que não pode criar estoque nem deixar de atender a demanda. A lição é ter uma operação casada e ler a carteira de pedido para não ter dispersão do pouco capital que a empresa dispõe”, acrescenta o especialista.

SUA EMPRESA SEM DÍVIDAS

Planejamento   Para o analista do Serviço (Sebrae-BA), Diógenes Silva, antes de partir para a negociação com os credores e colocar as contas no lugar vai ser preciso se planejar: “A falta de direcionamento no capital de giro é um dos principais motivos que comprometem a sustentabilidade do negócio. Por isso, o empreendedor precisa se planejar bem  pensar bem onde investir, por que investir e como investir e fazer as escolhas certas”.

Negociação   O momento é de aproveitar a queda das taxas de juros para buscar melhores condições junto aos credores na hora da renegociação da dívida. “Também é importante reduzir custos operacionais, renegociar preços com fornecedores para ter de onde tirar o montante necessário para honrar a dívida”, acrescenta Silva.

Auto financiamento    Uma outra orientação do analista do Sebrae é vender um ativo parado na empresa para não ter que ir em busca de uma nova linha de crédito. “A adequação da produção como um todo pode ajudar muito a reajustar as contas”.

Reestruturação  É colocar ordem na casa: evitar desperdícios, reduzir gastos operacionais, gerir bem o estoque, adaptar o mix de produtos e serviço, gerir da melhor maneira o capital da empresa. “Não dá para todo dinheiro que a empresa ganha ir direto para pagar dívidas e ficar tentando sustentar o negócio no vermelho. É direcionar muito bem e estrategicamente este capital”, aconselha o especialista. (Com Correio)

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