MDB e PSB são os que mais perderam deputados na janela partidária. DEM, o que mais ganhou.

Com a janela partidária encerrada no último sábado (7), o MDB e o PSB foram os partidos que mais perderam deputados nos últimos 30 dias, de acordo com levantamento do Congresso em Foco. Enquanto o MDB viu 13 de seus deputados titulares abandonarem a sigla, o PSB perdeu 11 nomes. No balanço,  ambos saem com saldo negativo de seis parlamentares na Casa – o PSB filiou cinco nomes, enquanto o MDB anotou sete adesões. Os números são parciais da última atualização da pesquisa, concluída às 21h de segunda-feira (9).

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A reportagem identificou 82 deputados titulares que trocaram de partido durante a janela (veja a lista completa mais abaixo), período aberto pela legislação para que eles trocassem de legenda sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. O número pode ser ainda maior, com anúncios de filiação de último minuto e retorno de deputados que estavam licenciados à Câmara para tentar a reeleição em outubro próximo.

Na contramão das debandadas verificadas em PSB e MDB, o DEM foi o partido com o maior número de novos filiados durante o período de trocas, somando 12 novos nomes e apenas 2 saídas. O saldo de 10 novos deputados do partido é o maior até agora, colocando-o como a quinta maior bancada na Câmara, com 43 deputados.

O troca-troca partidário reorganizou as fileiras dos partidos e fez com que o MDB, com 53 parlamentares na Câmara, perdesse o título de maior bancada para o PT, que tem 59 deputados. O PP chegou a ser a segunda maior bancada, mas, segundo a última atualização deste levantamento, exibe o terceiro maior número de deputados, com 50 parlamentares na Casa. Em seguida vem o PSDB, com 48 deputados.

Ao longo do último mês, vários partidos ofereceram de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões para cada parlamentar em troca da filiação. O dinheiro sairá do fundo eleitoral, criado para compensar as perdas com a proibição do financiamento empresarial. O interesse por novas adesões se justifica: quanto maior a bancada de uma sigla, maior sua parte na distribuição dos recursos públicos e maior o espaço reservado a ela no horário eleitoral gratuito.

No último minuto

O caso do agora ex-ministro Fernando Coelho Filho, que até semana passada chefiava a pasta de Minas e Energia, foi uma das mudanças de última hora a engordar os números do DEM. Ao retomar o mandato na Câmara, o pernambucano – que já era dado como certo no MDB – decidiu se filiar ao partido do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Outra mudança curiosa aos 45 do segundo tempo foi a de Waldir Maranhão (MA). O ex-presidente da Câmara já tinha entregue sua ficha de filiação ao PT, partido em que amealhou simpatizantes ao votar contra, em 17 de abril 2016, o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Mas, ao ter seu nome vetado pelo diretório estadual do partido, anunciou a ida para o PSDB, arquirrival do PT em nível nacional há mais de duas décadas.

Em ambos os casos, disputas regionais pesaram na mudança de rumos. Fernando Coelho é filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), envolvido em uma disputa pelo controle do diretório emedebista em Pernambuco. Ao se filiar ao DEM, o candidato à reeleição escapa do imbróglio do MDB no estado.

Na segunda-feira passada (2), o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a dissolução do diretório pernambucano do MDB, que tinha colocado o senador no comando do partido no estado em 20 de março. O MDB ensaiava uma intervenção no diretório desde o fim do ano passado, devido à decisão do vice-governador do estado, Raul Henry (MDB), de apoiar a reeleição de Paulo Câmara (PSB) ao Palácio das Princesas. O apoio vai contra os planos da cúpula partidária nacional de apoiar a candidatura de Fernando Bezerra Coelho, que trocou o PSB pelo MDB no ano passado.

Veja a lista completa, por partido:

Veja a lista por estado:

Por Isabella Macedo(Alerta)

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